Queria roubar ao céu a luz do dia
e oferecer-ta agora, enquanto passam
as aves e o vento
arrasta um "rio de nuvens" infelizes
a caminho da noite. A primavera
põe um sorriso em cada verso, quando
floresce no meu sangue o mais divino
arrepio. Estou só,
mas sei que existe algures uma estrela
ainda por nascer.
De silêncio em silêncio
cintilam as imagens que deixaste
a arder sobre os meus olhos, cuja cinza
abraça este crepúsculo e regressa
ao coração. Entre a folhagem
palpita a voz do sol, estremece ainda
a pura melodia do seu fogo
quase em segredo
- esse primeiro sonho de que é feita
a memória dos deuses no teu rosto.
Fernando Pinto do Amaral
Este é um poema repleto de beleza visual e sensorial.
ResponderEliminarCombina o cósmico com o íntimo, e procura um sentido,uma busca,uma conexão à transitoriedade da existência.
Saudade que pode doer,mas que mantém a esperança no devir,pela sua inerente fragilidade.
Bjos.
ADRY