Voaram pela noite em passos nómadas
todas as minhas mágoas. Libertei-me,
é um facto,
mas onde quer que esteja
gosto que sejas tu a descobrir-me
no rastilho que acendem os velhos cadernos. Agora
despedi-me do tempo e do espaço
e tu, por mais que tentes,
não sabes por onde anda esse "sopro de vento"
- sou eu e não sou eu. Quem deambula
pela cidade sem ninguém? Talvez
a mesma alma,
o mesmo choro submerso, quase
quase feliz por me sentires ainda
no exílio de um sonho, tão de súbito
dentro da tua vida e fora dela
como se te encontrasse
e quisesse outra vez morrer no teu olhar.
Fernando Pinto do Amaral
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