Éramos muito novos. Começaram logo
vários anos de perdas e infortúnios.
Depois de atravessarmos os nossos Invernos,
sorrimos para a dor, que envelheceu.
Também não desconfiamos da tristeza:
agora tudo faz parte da mesma força.
Embora os sofrimentos me tornassem
mais solitário,
chegue onde chegar quando anoitece,
nunca temi tão pouco este caminho.
Há vinte anos que tu e a poesia
são tudo o que tenho.
É o melhor final. De madrugada
acordei e fiquei a ler o que escrevera
antes de adormecer: para que é que isto serve?
Se calhar a poesia,
que chegou quando eu era um rapaz,
partirá quando for preciso.
Aquele, contigo e a indiferença,
será o tempo de apenas recordar.
Joan Margarit
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