quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sophia de Mello Breyner Andresen




























Estranha noite velada, 
Sem estrelas e sem lua, 
Em cuja bruma recua 
Fantasma de si mesma cada imagem.

Jaz em ruínas a paisagem, 
A dissolução habita cada linha. 
Enorme, lenta e vaga 
A noite ferozmente apaga 
Tudo quanto eu era e quanto eu tinha.

E mais silenciosa do que um lago, 
Sobre a agonia desse mundo vago, 
A morte dança 
E em seu redor tudo recua 
Sem força e sem esperança. 

Tudo o que era certo se dissolve; 
O mar e praia tudo se resolve 
Na mesma solidão eterna e nua. 



Sophia de Mello Breyner Andresen

1 comentário:

  1. Jaz em ruínas a paisagem,
    A dissolução habita cada linha.
    Enorme, lenta e vaga
    A noite ferozmente apaga
    Tudo quanto eu era e quanto eu tinha.

    E mais silenciosa do que um lago,
    Sobre a agonia desse mundo vago,
    A morte dança
    E em seu redor tudo recua
    Sem força e sem esperança.

    Beijo.Conde,,,

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