quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Joaquim Pessoa /// Nenhuma Morte Apagará os Beijos

Poema


Joaquim Pessoa Joaquim Pessoa Portugal n. 1948 Poeta
Nenhuma morte apagará os beijos
e por dentro das casas onde nos amámos ou pelas ruas
                                           [clandestinas da grande cidade livre
estarão para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
                                                            [e atormentada

desvenderá em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paixão os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mut
uamente violando-se, violentando a noite

para que outro dia, afinal, seja possível.


Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'








1 comentário:

  1. Não estejas longe de mim um só dia, porque como,
    porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
    e te estarei esperando como nas estações
    quando em alguma parte dormitaram os trens.

    Não te vás por uma hora porque então
    nessa hora se juntam as gotas do desvelo
    e talvez toda a fumaça que anda buscando casa venha matar ainda meu coração perdido

    Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
    ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
    não te vás por um minuto, bem-amada,

    porque nesse minuto terás ido tão longe
    que eu cruzarei toda a terra perguntando
    se voltarás ou se me deixarás morrendo

    Pablo Neruda

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