Não sei de lei nenhuma que não dobre a dura mansidão da tua boca
Há quanto tempo não ouço a tua voz, meu amor? Há quanto tempo o teu sorriso não atravessa a distância para me fazer sorrir?
Há quanto tempo os teus olhos não pousam em mim para me fazer despertar o intenso desejo de ti?
Há quanto tempo os teus lábios não pousam, com ternura e desejo, nos meus?
Mas eras real? Ou era apenas a minha imaginação a querer-te junto a mim?
Vagueio pelo ar, tento encontrar-te, percorro a noite, chamo-te até ser manhã e tu não vens.
Mas algumas vez vieste? Alguma vez virás?
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Quando ouço ao telefone a voz que brinca
e canta, sem saber, os dias novos,
pouco me importam tempo, espaço, luas,
ou maneiras sequer de ser humano.
Vagueio pelo ar, e arranco estrelas
ao cenário sem fim do universo;
e faço pobres contas aos cabelos
depenados no chão, verso após verso.
Nada é real, senão o meu desejo,
nem sei de lei nenhuma que não dobre
a dura mansidão da tua boca;
inventou-nos um deus, para que seja
veloz o lume na manhã sem nome,
e chama viva a voz que nos consome.
e canta, sem saber, os dias novos,
pouco me importam tempo, espaço, luas,
ou maneiras sequer de ser humano.
Vagueio pelo ar, e arranco estrelas
ao cenário sem fim do universo;
e faço pobres contas aos cabelos
depenados no chão, verso após verso.
Nada é real, senão o meu desejo,
nem sei de lei nenhuma que não dobre
a dura mansidão da tua boca;
inventou-nos um deus, para que seja
veloz o lume na manhã sem nome,
e chama viva a voz que nos consome.
('Quando ouço ao telefone a vaz que brinca', de António Franco Alexandre in '366 poemas que falam de amor')

Real ou ficção, para viver há razão, tanto mal tanta questão tanto fio de opinião, tanta dor no coração, tanto amor abandonado e tanta família sem pão !!!... <3
ResponderEliminarBeijo Conde