segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sophia de Mello Breyner Andresen











































Estranha noite velada, 
Sem estrelas e sem lua, 
Em cuja bruma recua 
Fantasma de si mesma cada imagem.

Jaz em ruínas a paisagem, 
A dissolução habita cada linha. 
Enorme, lenta e vaga 
A noite ferozmente apaga 
Tudo quanto eu era e quanto eu tinha.

E mais silenciosa do que um lago, 
Sobre a agonia desse mundo vago, 
A morte dança 
E em seu redor tudo recua 
Sem força e sem esperança. 

Tudo o que era certo se dissolve; 
O mar e praia tudo se resolve 
Na mesma solidão eterna e nua. 



Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários:

  1. A morte dança os ciprestes assistem, mudos e quedos desviam a rota de todos os ventos !!!... BJ Conde <3

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  2. Estranha noite velada,
    Sem estrelas e sem lua,
    Em cuja bruma recua
    Fantasma de si mesma cada imagem.

    Jaz em ruínas a paisagem,
    A dissolução habita cada linha.
    Enorme, lenta e vaga
    A noite ferozmente apaga
    Tudo quanto eu era e quanto eu tinha.

    E mais silenciosa do que um lago,
    Sobre a agonia desse mundo vago,
    A morte dança
    E em seu redor tudo recua
    Sem força e sem esperança.


    bjinho.

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