domingo, 29 de julho de 2018

Nuno Júdice






Photo: Duane Michals
























Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.



Nuno Júdice

2 comentários:

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  2. POEMA DA DESPEDIDA...

    Não saberei nunca
    dizer adeus

    Afinal,
    só os mortos sabem morrer

    Resta ainda tudo,
    só nós não podemos ser

    Talvez o amor,
    neste tempo,
    seja ainda cedo

    Não é este sossego
    que eu queria,
    este exílio de tudo,
    esta solidão de todos

    Agora
    não resta de mim
    o que seja meu
    e quando tento
    o magro invento de um sonho
    todo o inferno me vem à boca

    Nenhuma palavra
    alcança o mundo, eu sei
    Ainda assim,
    escrevo.

    Mia Couto

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