domingo, 22 de janeiro de 2017

David Mourão Ferreira









Noite apressada   



Era uma noite apressada 
depois de um dia tão lento. 
Era uma rosa encarnada 
aberta nesse momento. 
Era uma boca fechada 
sob a mordaça de um lenço. 
Era afinal quase nada, 
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida 
no meio do vendaval; 
imensa, a linha da vida 
no seu desenho mortal; 
imensa, na despedida, 
a certeza do final.

Era uma haste inclinada 
sob o capricho do vento. 
Era a minh'alma, dobrada, 
dentro do teu pensamento. 
Era uma igreja assaltada, 
mas que cheirava a incenso. 
Era afinal quase nada, 
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida 
no centro da catedral; 
imensa, a voz diluída 
além do bem e do mal; 
imensa, por toda a vida, 
uma descrença total!   




David Mourão-Ferreira   

Foto de Antonio Maria.

1 comentário:

  1. Era uma noite apressada
    depois de um dia tão lento.
    Era uma rosa encarnada
    aberta nesse momento.
    Era uma boca fechada
    sob a mordaça de um lenço.
    Era afinal quase nada,
    e tudo parecia imenso!

    beijinho,está frio,para a menina estar tão despida, está na hora de mudar a foto,irra até arrepia......kkkkkkk

    ResponderEliminar