terça-feira, 5 de abril de 2016

Manuela Barroso

Os olhos nasciam verdes na boca da noite
e tu
esperavas o sol da lua
no sorriso da água em flor
Acordaste os limos bordando rendas líquidas
na transparência da tua presença distante
E o silêncio adormecia nos cerejais da noite
à janela fresca do luar
em sabores planos e plenos de fantasia
Não ouviste o som extenso e estridente das rãs
com tatuagens de estrelas no leito verde do lago
embriagado de salgueiros que dormem a penumbra
nos beijos das rolas.
Ouço-te no compasso das metamorfoses
e nas asas gelatinosas dos caracóis
descendo
o vale
das folhas
em estradas
de goma branca
Semeaste a calma na viagem livre
da luz selvagem
vagueando pelos cabelos lisos dos pinheiros
chorando resinas de saudade
Na boca de pedra donde o gemido da água corria
ficaram as plantas da noite na serenidade espessa da luz
escrita na sombra enquanto a seiva dormia
E
no chão burilado de estrelas
a minha paz se estendia!
 


Manuela Barroso  


1 comentário:

  1. nos beijos das rolas.
    Ouço-te no compasso das metamorfoses
    e nas asas gelatinosas dos caracóis
    descendo
    o vale
    das folhas
    em estradas
    de goma branca
    Semeaste a calma na viagem livre
    da luz selvagem
    vagueando pelos cabelos lisos dos pinheiros
    chorando resinas de saudade

    bj.........

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