terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nós fomos.....

Poema vertical



Abrimos os corpos. Rasgámos silêncios.
Na mesma vertigem nós fomos o espaço
Nós fomos a sede
Nós fomos a fonte
Abrimos distâncias. E tudo inventámos.
A vida e a morte num gesto de febre
subiam em compasso
em tempo de espera
E a luta
E a raiva
Nas nossa artérias um sangue mais quente
e o teu movimento em ritmo louco
E a minha renuncia de não ser mais eu. De ser o teu corpo. De ser a tua
carne
Baloiço de membros
de pernas e braços
Mulher que eu embalo
que guardo em meu ventre
que bebe de mim
a quem eu me dou
de quem me alimento
Mulher incarnada
na minha loucura
Um grito. Uma pausa. Um gesto mais lento.
E a vida a esvair-se
num estertor da morte
Depois o cansaço no espasmo da noite
E nós renascidas
E livres no tempo.

Manuela Amaral

1 comentário:

  1. Mulher que eu embalo
    que guardo em meu ventre
    que bebe de mim
    a quem eu me dou
    de quem me alimento

    Sim, sabes bem.
    De ti me alimento
    Nao me deixes morrer sem ter o teu amor, Carne de minha carne
    Sangue que se fez meu sangue
    Amo-te e sabes bem

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